quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

CHÁ DAS 5




Pignola, scones, sanduíches de pepino, biscoitos de manteiga, tarte de frutos silvestres, queijadas de leite, bolo de bolacha, lemon curd, compota de pêssego, limonada, sumo de melancia e infusão de lúcia lima. Há dias em que alucino.


domingo, 17 de Agosto de 2014

AIOLI NÃO É PARA MENINOS

Nos anos 80, o meu pai - pessoa que nunca cozinhou, não tinha um interesse especial pela comida e comia tremoços com o mesmo entusiasmo que eu mostro perante um bombom - fez a colecção completa do Curso Internacional de Cozinha Prático e Ilustrado do chefe Pol Martin. Os fascículos do Curso foram religiosamente comprados todas as semanas até os quatro volumes estarem completos. Na altura, embora eu já gostasse de cozinhar, o meu entusiasmo pelos fascículos ficou reduzido às receitas de crepes. Digamos que ali pelos 15-16 anos eu tinha uma verdadeira obsessão por crepes. Crepes, crepes, crepes. Eu vivia para fazer e comer crepes. Normalmente com recheios doces; mas também era comum embrulhá-los com queijo no interior. Recordo-me de um dia ter trazido uma das minhas grandes amigas de então para passar uma tarde cá em casa e de ter estado horas a fazer crepes. Em vez de estudarmos. Eu fazia, ela comia. Uma alarvidade. Não sei como a rapariga não explodiu.
A verdade é que tinha outras preferências em termos de literatura gastronómica. Entre a Cozinha Tradicional Portuguesa, da Maria de Lourdes Modesto, e Doze Meses de Cozinha, uma edição das Selecções do Reader's Digest, eu realizava-me enquanto cozinheira amadora. Gostava particularmente da secção de pastelaria deste último livro. Um conjunto de páginas sem ilustrações a cores, mas com receitas muito bem explicadas e cujo resultado estava sempre garantido. O Curso do chefe Pol Martin, cujos conteúdos eram obviamente os da clássica cozinha francesa, pouco se enquadravam nas minhas referências culturais ancoradas nas cozinhas das avós Susana e Jesuína. Para além disso, muitos ingredientes que o chefe Pol referia não existiam na Figueira da Foz na década de 80. Havia lá arroz selvagem? E eu fazia lá ideia do que fossem pétoncles?!
Depois do meu pai morrer, fiquei com esta colecção. Arrumei-a na categoria dos livros generalistas de cozinha, e ali ficou, mais ou menos esquecida. A questão é que, quando iniciei as aulas do Curso de Cozinha Intensivo na ACPP, resgatei os quatro volumes do Chefe Pol Martim e comecei a reler as receitas com outra maturidade, outro interesse e uma outra curiosidade. 
As páginas estão profusamente ilustradas com fotografias que documentam todas as etapas das receitas. Não há ali espaço para dúvidas, nem hesitações. O layout dos fascículos nada tem a ver com aquilo que hoje se faz, quer na blogosfera, quer nas edições recentes de livros de cozinha. É um registo fotográfico técnico. Cumpre a sua função - ensinar.


Quando andei a testar algumas receitas para a avaliação final do Curso Intensivo de Cozinha, fiz o aioli, de memória, que tinha visto numa das receitas do chefe Pol Martim. Não tinha presente as quantidades de todos os ingredientes, improvisei um pouco e socorri-me, também, da receita de um aioli feito por um dos chefes convidados do Curso. Hoje preparei o aioli a preceito. Com cinco dentes de alho. Não é coisa para meninos. Nem meninas. Tradicionalmente, o aioli é feito esmagando-se e misturando-se num almofariz os ingredientes. Pode, contudo, usar-se um robot de cozinha para facilitar o trabalho. Até porque no almofariz os dentes de alho têm tendência a voar quando são esmagados...


Ingredientes
5 dentes de alho (os menos corajosos podem usar uma quantidade inferior)
2 batatas cozidas
2 gemas de ovo
3/4 chávena de azeite
sumo de limão
sal e pimenta qb

Preparação
Começa por se esmagar os dentes de alho no almofariz. De seguida, juntam-se as batatas cozidas, ainda quentes, e misturam-se muito bem com os alhos. Adicionam-se as gemas e volta a misturar-se o preparado. O passo seguinte consiste em deitar o azeite, gota a gota, mexendo sempre. Por fim, tempera-se de sal e pimenta e com um pouco de sumo de limão. É óptimo servido com palitos de cenoura e aipo.

sábado, 16 de Agosto de 2014

DÁ-ME MÚSICA


Banana -1
Cajus crus - 1 chávena
Coco ralado - 2/3 chávena
Triturar tudo ao som de um tango


sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

domingo, 10 de Agosto de 2014

PÃO E AVENTAIS




Pela Figueira, os dias têm sido passados a fazer coisas. Coisas que estavam agendadas há alguns meses e que ainda não tinha sido possível realizar. A mesa de madeira dos meus tempos de escola já está devidamente lixada. Acabei por comprar uma pequena lixadeira que me facilitou imensamente a fase final do trabalho, hoje, ao final da tarde. Agora só falta pintá-la, tarefa que conto fazer nos próximos dois a três dias. 
A caixa de linhas da loja do meu pai vai-me obrigar a investir mais tempo e material do que esperava. As divisórias são feitas numa madeira de má qualidade e estão partidas aqui e ali o que implica trabalhos de colagem. A tampa também não está num estado propriamente famoso com partes lascadas a obrigar ao uso de mastic. 
Tenho memórias muito difusas desta caixa na loja do meu pai. Lembro-me vagamente do local onde era guardada e de algumas das linhas serem enroladas não em tubos de plástico, mas sim de cartão branco.
Hoje à tarde, quando retirei as divisórias da caixa, é que reparei que muitos dos compartimentos tinham "legendas": a cor da linha e o respectivo número. Tinha pensado lixar quer o exterior, quer o interior da caixa, assim como o sistema de divisórias, e pintar tudo. O objectivo seria transformar esta velha caixa de linhas num guarda jóias. Mas depois de ter visto todas aquelas palavras fiquei hesitante quanto às modificações que estava disposta a fazer. Agora já não tenho tantas certezas... 


Entre lixar a mesa e adiantar os aventais, hoje ainda tive tempo para experimentar uma nova versão da receita de pão de arroz sem glúten que já mostrei aqui. Basicamente, adicionei flocos de arroz à receita base, e aumentei proporcionalmente a quantidade de água. Substitui o óleo por azeite e o açúcar por açúcar de coco e fiz alguns acertos de quantidades. Ficou com uma textura deliciosa - os flocos de arroz foram determinantes. Servi com fatias de queijo fresco e um fio de xarope de ácer (que só coloquei depois das fotos tiradas). É receita para repetir. 


Receita

Ingredientes
500 grs de farinha de arroz
250 grs de flocos de arroz
1 pacote de levedura seca sem glúten
1 colher de sobremesa de goma xantana
2 colheres de sopa de açúcar de coco
1 colher de sobremesa de flor de sal
3 colheres de sopa de azeite
1 litro de água morna

Preparação
Numa tigela grande deitar a farinha, os flocos de arroz, a goma xantana, a flor de sal e envolver bem. Noutra tigela misturar a água morna, a levedura e o açúcar de coco. Adicionar à mistura seca, mexendo bem. Juntar o azeite e envolver até a mistura ficar homogénea.
Untar uma forma com azeite, forrar com papel vegetal e untar novamente. Deitar a massa e deixar levedar uma hora em local aquecido. 
Colocar no forno a 200º durante cerca de 90 minutos. Para evitar que a parte de cima do pão fique queimada, deixar cozinhar 10 minutos e, depois, cobrir com papel vegetal até 10 minutos antes do final da cozedura. Nessa altura, retirar o papel vegetal para a crosta ficar dourada.


Os aventais estão quase, quase prontos. Usei três lençóis e ainda me sobrou algum pano que vou utilizar para fazer guardanapos para a casa de Lisboa. Para cada avental fiz um bolso central, grande e com duas divisórias, e um bolso mais pequeno no topo superior esquerdo. Aproveitei os bordados simples que alguns dos lençóis tinham para o bolso menor e para a parte superior da peça. Agora só me falta comprar as fitas para fazer os atilhos e tenho os aventais despachados! 

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

INÍCIO DOS TRABALHOS

Da longa lista de tarefas que me propus fazer este mês de Agosto, seleccionei, para começar, as duas mais urgentes: recuperar a mesa de madeira que fiz no 9º ano e costurar cinco ou seis aventais de cozinha com lençóis antigos que a minha mãe guardava em casa.
Hoje comecei a manhã - depois do habitual passeio com as cadelas - a recuperar a mesa. Da última vez que tinha estado na Figueira - há quase dois meses - recuperámos o portão da garagem com a ajuda destas lixas fantásticas. Não foi necessário comprar uma lixadeira e aproveitou-se o velho berbequim que havia cá em casa. Comprei várias lixas (aquele portão "comeu" lixas e mais lixas) e demos conta da empreitada ao fim de alguns dias. Já tinha tentado lixar, à mão, esta mesa. Por diversas vezes. Mas o verniz muito manhoso nunca cedeu às folhas de lixa que usei. Hoje de manhã dei a primeira demão de lixa na mesa. Saiu o verniz quase todo! Apenas os cantos ficaram por lixar. Amanhã vou tentar solucionar o problema com as folhas de lixa...se não conseguir vou mesmo ter de usar uma lixadeira. A mesa já tem destino aqui em casa: vai para a sala acomodar o gramofone do meu avô e que usei o ano passado no meu casamento.


À tarde dediquei-me a cortar lençóis. Não são lençóis especiais: aqueles que foram bordados pela minha avó Jesuína estão reservados para outros fins mais nobres. Estes lençóis foram usados anos e anos nas camas de solteiro em casa da minha mãe. São simples, alguns deles têm já uns pequenos rasgões e buracos, e estavam esquecidos num armário à espera de melhor destino. Já tenho cinco aventais cortados - com os respectivos bolsos - e nos próximos dias vou-me dedicar a finalizá-los. Ainda estou indecisa quanto ao comprimento final que vão ter. Cortei-os bastante compridos - gosto muito daqueles aventais  antigos bem longos, como este, da segunda imagem. Mas tenho de perceber primeiro, antes de me decidir pelas medidas finais, se são minimamente funcionais ou se me vão atrapalhar quando estiver na cozinha afogada em tarefas...


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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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